Mas afinal quantos ovos posso comer por semana?

24-04-2019

Esta é uma das perguntas mais recorrentes em consultas de nutrição e particularmente nesta época em que se usou e abusou dos folares e das iguarias gastronómicas típicas desta festividade recheadas com doses exuberantes de ovos.

Se antigamente se recomendava um ovo por semana e este era quase considerado o pior alimento do mundo, hoje em dia já começa a haver uma banalização do consumo de ovos até para doses excessivas. Por isso, como sempre acontece no meio é que está a virtude.

Começando por factos, o ovo é dos alimentos mais completos que existem, tem proteínas com um excelente equilíbrio de aminoácidos para o que nos é recomendado, o que faz com que fiquemos saciados mais rapidamente. É bastante rico em diversas vitaminas e minerais, nomeadamente, vitaminas A, B2, B9, B12, D e K e minerais como o iodo, o selénio e o zinco.

Verdade seja dita que o ovo é extremamente rico em colesterol, só uma gema tem cerca de 215mg de colesterol quando a ingestão máxima diária não deve exceder os 300mg.

Contudo, o colesterol que ingerimos através da alimentação não é o fator mais importante para aumentar os níveis de colesterol sanguíneo, mas sim a ingestão de gorduras saturadas e trans. Tal significa que nos devemos preocupar mais em limitar os alimentos como manteiga, queijos gordos, enchidos e carnes vermelhas (ricos em gorduras saturadas) e restringir o consumo de batatas fritas, folhados, produtos de pastelaria, biscoitos e outros produtos processados (extremamente ricos em gorduras trans) do que proibir a ingestão de ovos, que são no fundo o menor dos males.

Em Portugal até há alguns anos atrás, raras eram as pessoas que comiam um ovo por dia (hoje em dia já se começa a ver mais facilmente a moda de andar com ovos na marmita) e pior, quase ninguém substituía uma refeição de carne ou de peixe por ovo. Indo a factos, o que os estudos sugerem é que se pode consumir até um ovo por dia sem ultrapassar os sete por semana, uma vez que valores superiores estão associados a um maior risco de mortalidade em diabéticos.

Portanto se gosta de ovos já sabe qual a dose que é recomendada e pode comê-los da maneira que mais gosta cozidos, escalfados, mexidos, "estrelados" ou em omelete, desde que todas as versões de frigideira sejam feitas numa antiaderente e sem adicionar qualquer tipo de gordura, senão não há colesterol que resista. E lembre-se use o ovo como complemento para uma refeição principal, assim que lhe for adicionar os açúcares para fazer as suas sobremesas preferidas lá vêm os outros riscos associados!

Mariana Pinheiro